quando a gente foi pra são tiago
era um desrumo só
a gente se perdia
não sabia onde tava
cavalo rolava no rio
peão tropeçava na cava
importante era a certeza
entranhada na alma
de onde a gente queria estar
insistimos tanto
que a derradeira terra chegou
repleta da sua poeira perplexa
e do sal que a gente queria pisar
feliz foi o caminho
que mesmo sendo de ida
sempre quis ser uma espécie de volta
domingo, 15 de novembro de 2009
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Antes era o som
Menino inocente aprendendo a ser bonito com o silêncio
Época distante essa:
Livros eram mágicos
Indústrias eram novidade
E nada, nada mesmo!, era mais completo que o som gutural e delicado do francês
Pra que descascar batatas
Ou afinar instrumentos?
Um mundo perfeito nos oferece batatas que pulam nas bocas e sanfonas que cantam sozinhas!
Limpa é a terra molhada, depois da chuva
A alma transborda em montmartre
Inteira e desengonçada, a poesia invade cada miocárdio
Não existem pedaços de poesia
Menino inocente aprendendo a ser bonito com o silêncio
Época distante essa:
Livros eram mágicos
Indústrias eram novidade
E nada, nada mesmo!, era mais completo que o som gutural e delicado do francês
Pra que descascar batatas
Ou afinar instrumentos?
Um mundo perfeito nos oferece batatas que pulam nas bocas e sanfonas que cantam sozinhas!
Limpa é a terra molhada, depois da chuva
A alma transborda em montmartre
Inteira e desengonçada, a poesia invade cada miocárdio
Não existem pedaços de poesia
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009
zocrato mandou dizer que morreu de amora
que caiu feliz
lá dos galhos altos
se acabou na terra
mas foi lá em cima
o derradeiro riso
de dentes roxos
moço tão bonito
de cabelos muitos
gabriel é doce
e sabe dançar
seus agudos verdes
me acalmando o peito
me elevando a clubes
de avacanoê
e todo dia
com o sol rachando ou sem
e os ânimos exaltados
viciados
no ócio e na letargia
ele sobe o mais céu que consegue
pra morrer de novo
e gravar seu nome
que caiu feliz
lá dos galhos altos
se acabou na terra
mas foi lá em cima
o derradeiro riso
de dentes roxos
moço tão bonito
de cabelos muitos
gabriel é doce
e sabe dançar
seus agudos verdes
me acalmando o peito
me elevando a clubes
de avacanoê
e todo dia
com o sol rachando ou sem
e os ânimos exaltados
viciados
no ócio e na letargia
ele sobe o mais céu que consegue
pra morrer de novo
e gravar seu nome
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domingo, 20 de setembro de 2009
Objetos luminosos grudados em meu humor vêm perturbar meu sono. Meu olho ameaça se abrir e chorar. Meus nervos não querem volver pressa terra descolorida e repleta de leis caóticas. A incoerência é parte de mim e dos outros, mas eu não sei se eles sabem disso. Amo muito algumas poucas pessoas. Gosto muito pouco de outras muitas. Tudo isso passando por mim e meu corpo resistindo bravamente. Eu não acordo. Não é fácil me ver desperta. Impossível ter-me inteira. Tantas vezes o sonho é só coisa colorida e mais nada... Era bom continuasse a ser assim... Mas um ovni quase me sequestra eternamente e os meus dedos ficam inchados e doídos a ponto de perderem as unhas tão boas de escutar! Continuo com a íris enclausurada e nem sei mais o que ela quer que eu faça. Passo alguns milésimos mais tranquila, já conseguindo engolir a saliva com determinação. Me vem um barulho de pensamentos bons e eu sonho com a vó biquita. Ela, linda!, de óculos engordurados e casaco de lã surrado, com a barriga provavelmente lotada de angu branco daquela terra tão fria e mineira de verdade, aparece no topo de uma escada sem chão; a gente se abraça e a alegria morre num outro sonho intrometido que desfigura minha boneca. Continuo dormindo e escrevendo, e agora talvez até queira olhar pro mundo em preto e branco de novo. Mas algum sentimento estranho, daqueles rupestres, me prende por tanto tempo, que chega a ser pra sempre, e não enxergo mais nada.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
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ando vasta e isso me labirinta
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quinta-feira, 18 de junho de 2009
a tarde começa a querer se esvair
mas ainda há tempo
alguns lodos ainda esperam, ansiosos, que eu lhes bote os pés
consciência de lodo é quase não ser
esses ínfimos seres tanto se pré-ocupam da difusão, que se esquecem de todo o resto
melhor
não amam
não sofrem
não entendem porra nenhuma
segunda-feira, 11 de maio de 2009
um sábado fresco me acorda outra década
quando eu era criança
e sabia nada do tempo
eu ainda era nata boiando no leite
essas manhãs preguiçosas do sétimo dia
me voam mais alto que as madrugadas
um sábado é sempre claro, limpo, em família
os rebentos todos na piscina de plástico
o medo do sexto sentido
os sons cutucando a ana com vara curta
no sábado eu não sabia tocar violão
nem sobreviver no fundo de uma piscina maior
mordia com dentes mais brancos e livres
meus medos pequenos e inocências rupestres
quando eu era criança
e sabia nada do tempo
eu ainda era nata boiando no leite
essas manhãs preguiçosas do sétimo dia
me voam mais alto que as madrugadas
um sábado é sempre claro, limpo, em família
os rebentos todos na piscina de plástico
o medo do sexto sentido
os sons cutucando a ana com vara curta
no sábado eu não sabia tocar violão
nem sobreviver no fundo de uma piscina maior
mordia com dentes mais brancos e livres
meus medos pequenos e inocências rupestres
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